Os vinhos americanos estão chegando


Bruno Agostini | Originalmente postado por O Globo.

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Mesmo quase 40 anos depois do famoso Julgamento de Paris, quando vinhos californianos bateram grandes rótulos de Bordeaux (tinto) e Borgonha (brancos), em degustação às cegas na capital francesa, os brasileiros ainda olham com certa desconfiança para os vinhos americanos. O fenômeno se repete com as garrafas de outros países de língua inglesa, como a Austrália, berço de muitos dos melhores vinhos do mundo, com destaque para a uva Shiraz; Nova Zelândia, famosa pela qualidade de seu terroir muito propício para castas de clima frio, como Sauvignon Blanc e Pinot Noir, e mesmo o Canadá, pátria de ótimas vinícolas, entre as quais muitas fazem o cultuado ice wine, feito com os cachos congelados, colhidos entre dezembro e janeiro. 

Mas, aos poucos, essa resistência vai mudando e anglofobia enológica vai desaparecendo. Para nossa sorte. Com um empurrãozinho da crise econômica, que abalou o mercado interno, que consome grande parte da produção local, os Estados Unidos (e os outros países de língua inglesa, e também a França, a Itália, a Alemanha, a Argentina, o Chile…) buscaram salvação no Brasil. Nos últimos anos cresceu significativamente a quantidade de rótulos americanos por aqui, não só os da Califórnia, principal referência do país, mas também de outros estados com enologia muito consistente, como Oregom, de onde saem ótimos vinhos feitos com a Pinot Noir, e Washington, onde a Riesling vem apresentando grandes resultados.

Todas as principais importadoras brasileiras já têm uma boa oferta de rótulos produzidos no EUA, e está em gestação uma empresa que vai se dedicar exclusivamente a trazer para cá os vinhos de lá. Até os supermercados que fazem importação própria, caso do Super Prix, estão apostando nessas garrafas. A nós, resta provar. Selecionados alguns desses bons lugares para comprarmos vinhos americanos.


Winebrands – A importadora tem uma das mais consistentes linhas de vinhos americanos disponíveis no Brasil, com exemplares de diversos estilos, com várias uvas diferentes, produzidos na Califórnia, em Oregon e em Washington. Entre os ícones do catálogo, encontramos justamente os vinhos da Stag’s Leap, vencedora do famoso confronto entre vinhos franceses e californianos. Do Oregon, o destaque vai para o Erath Oregon Pinot Noir 2010. De Washington, chegam os vinhos dos respeitáveis Columbia Crest (na foto)  e Château Ste Michelle. Uma boa pedida no quesito custo benefício é o Grand Estates Cabernet Sauvignon 2010, vendido a R$ 68.

Casa Flora – Sem fazer venda direta ao consumidor, os vinhos da Casa Flora podem ser encontrados nos melhores restaurantes da cidade, e em lojas como Delly Gil, A Garrafeira e O Lidador. No total, são 11 rótulos, todos produzidos pela Ironstone, de Sonoma, na Califórnia. Tem Zinfaldel, claro (são três diferentes). Tem Chardonnay, Shiraz, Cabernet Franc e tem um corte bordalês admirável, o Ironstone Reserve Meritage Estate Grown Sierra Foothills (80% de Cabernet Sauvignon, 10% de Merlot e 10% de Petit Verdot). Para quem gosta de uvas diferentes, o delicioso branco Obsession, feito com a muito pouco conhecida Symphony (que custa cerca de R$ 60 nas lojas), é uma bela escolha. Outra casta pouco difundida, mas nem tanto, é a Petite Syrah, que dá origem a um belo vinho, que leva ainda 5% de outra variedade rara, a portuguesa Souzão.

Superprix – A rede de supermercado, com lojas no Rio e em Niterói, vem investindo pesado nos vinhos, e um dos destaques é a vinícola californiana Fetzer, uma das primeiras a apostar na sustentabilidade e nas práticas ecologicamente corretas, com muitos vinhedos e rótulos orgânicos e biodinâmicos. O Pinot Grigio, leve, equilibrado e agradável, chama a atenção. Entre os tintos, o Zinfandel é o carro-chefe da casa, concentrado, condimentado e com boa fruta madura, uma bela pedida para um bom churrasco. Ou melhor, barbecue. Todos custam R$ 59,90.

Esta reportagem foi escrita para a edição do dia 09/09 do Globo a Mais. Hoje o assunto são vinhos os vinhos da chilena Cousiño-Macul.

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